Advogado não informa andamento do processo? Veja você mesmo em 2026
Advogado não informa andamento do processo e você já não sabe se está tudo bem? Essa é uma das queixas mais comuns de quem tem ação na Justiça. A boa notícia: você não depende de ninguém para saber o que acontece no seu caso. Processos judiciais são públicos em regra, e dá para consultar tudo pela internet, de graça, em minutos. Neste guia, você aprende a conferir o andamento por conta própria, ativar um alerta gratuito de movimentação, diferenciar o silêncio normal (processo parado aguardando o cartório ou o juiz) da negligência de verdade, e saber quando vale registrar uma reclamação na OAB.
Silêncio do advogado nem sempre é abandono
Imagine que a Ana financiou um carro, achou que as parcelas não fechavam e entrou com uma ação contra o banco. Nos primeiros meses, o advogado respondia rápido. Depois, silêncio. A Ana começou a imaginar o pior: será que ele esqueceu do meu caso?
Na maioria das vezes, a explicação é menos dramática. Todo processo tem longos períodos em que nada acontece de novo: os autos ficam aguardando despacho, perícia, pauta de audiência ou decisão do juiz. Nesses intervalos, o advogado simplesmente não tem novidade para contar.
Os dados públicos mostram isso com clareza. No TST, o movimento "Conclusão" (quando o processo sobe para o julgador decidir) é a maior sala de espera: mediana de cerca de 64 dias aguardando decisão. E o intervalo típico entre uma movimentação e outra é de cerca de 7 dias, mas em 10% dos casos passa de 118 dias (ref. julho/2026, base pública DataJud/CNJ).
Ou seja: semanas sem notícia podem ser só o ritmo normal da Justiça. O problema não é o silêncio em si, é você não saber o que está acontecendo. E isso dá para resolver sozinho.
Como conferir o andamento do processo você mesmo
A regra no Brasil é a publicidade: a Constituição garante, no artigo 5º e no artigo 93, IX, que os atos processuais e os julgamentos são públicos. A exceção são os casos em segredo de justiça, listados no artigo 189 do CPC (como ações de família), em que só as partes e seus advogados têm acesso.
Na prática, você precisa de uma coisa: o número do processo, aquele código comprido no padrão unificado do CNJ. Ele aparece no contrato de honorários, na cópia da petição inicial ou em qualquer intimação que você tenha recebido. Se não tiver, peça ao escritório por escrito.
Com o número em mãos, os caminhos gratuitos são:
1. O site do tribunal onde o processo corre (consulta processual pública). 2. O g1jus, que reúne processos dos tribunais superiores em um lugar só e mostra a linha do tempo completa das movimentações. 3. Para causas trabalhistas, a consulta do TST mostra cada etapa do recurso.
Em poucos minutos você vê a última movimentação, a data e o que ela significa. Ninguém precisa autorizar essa consulta: o processo é seu.
Alerta grátis: receba cada movimentação sem precisar perguntar
Consultar uma vez resolve a dúvida de hoje. O que muda a sua rotina é não precisar mais lembrar de consultar. É para isso que existem os alertas de movimentação.
No g1jus, você adiciona o número do seu processo na área Meus Processos e pronto: sempre que houver movimentação nova, você fica sabendo. O serviço é gratuito e cobre uma base de cerca de 8,2 milhões de processos indexados dos tribunais superiores (STJ, TST, TSE e STM), com 163 milhões de movimentos registrados (ref. julho/2026, base pública DataJud/CNJ).
O efeito prático é uma inversão de papéis. Em vez de ligar para o escritório perguntando "e aí, alguma novidade?", você passa a saber da novidade às vezes antes de o próprio advogado abrir o sistema. A conversa muda de tom: "vi que saiu uma decisão ontem, o que ela significa para o meu caso?".
Isso também protege a relação com um bom profissional. Advogado sério gasta o tempo trabalhando no processo, não repetindo "ainda não saiu nada" ao telefone. Quando o cliente acompanha sozinho, as conversas ficam mais objetivas e ninguém fica no escuro.
Processo parado no cartório: quanto tempo de espera é normal
Antes de concluir que o advogado está enrolando, vale calibrar a expectativa, porque a Justiça tem prazos bem mais longos do que a maioria imagina.
No TST, o AIRR (Agravo de Instrumento em Recurso de Revista), o recurso mais comum de lá, leva uma mediana de cerca de 234 dias, algo como 7 a 8 meses. O Recurso de Revista tem mediana de 605 dias, quase 1 ano e 8 meses. Já no STJ, o Habeas Corpus é a classe mais rápida, com mediana de cerca de 2,4 meses (ref. julho/2026, base pública DataJud/CNJ).
Na prática: se o seu recurso está no TST há alguns meses sem decisão, provavelmente está dentro do ritmo normal, e não há muito que o advogado possa fazer para acelerar. Cobrar o escritório toda semana nessa situação não muda o resultado, só desgasta a relação.
O cenário muda quando a movimentação exige uma ação do seu lado e nada acontece: uma intimação para se manifestar, um documento pedido pelo juiz, um prazo correndo. Aí o silêncio deixa de ser espera e vira risco, e é essa diferença que o acompanhamento por conta própria permite enxergar.
Advogado não informa andamento do processo: quando vira negligência
O dever de manter o cliente informado faz parte da relação de confiança entre advogado e cliente. Alguns sinais indicam que o silêncio passou do ponto:
- Você vê no andamento uma movimentação importante (sentença, intimação, prazo aberto) e o advogado não comunicou nada, nem responde quando você pergunta. - Aparece no processo algo como "decorrido o prazo sem manifestação": pode indicar que um prazo foi perdido. - O escritório mudou de telefone ou endereço sem avisar, e você não consegue mais contato por nenhum canal. - O advogado promete protocolar uma peça há semanas e a consulta pública mostra que nada foi apresentado.
Repare que todos esses sinais têm algo em comum: você só consegue identificá-los se estiver acompanhando o processo por conta própria. Quem depende totalmente do advogado para saber do caso não tem como separar a espera normal da negligência real.
Um detalhe importante: prazo perdido nem sempre significa caso perdido. Dependendo da fase, ainda existem caminhos processuais. Por isso, antes de romper a relação, o primeiro passo é sempre uma cobrança formal e documentada, como mostramos a seguir.
Como cobrar o advogado do jeito certo (e documentar tudo)
Cobrança eficiente é por escrito, objetiva e educada. Mensagem de WhatsApp ou e-mail serve, desde que fique registrada. Modelo simples:
"Olá, doutor. Vi na consulta pública que saiu uma decisão nova no processo. Pode me explicar o que ela significa e qual é o próximo passo? Se possível, me envie uma cópia."
Essa mensagem mostra que você acompanha o caso, faz uma pergunta específica (não um genérico "alguma novidade?") e pede um documento concreto. Fica muito mais difícil ignorar.
Outras atitudes que ajudam:
1. Peça cópia integral dos autos ou acesso ao processo eletrônico. Como parte, você tem esse direito. 2. Guarde as mensagens e anote as datas de cada tentativa de contato. 3. Dê um prazo razoável para resposta. Lembre que os prazos processuais correm em dias úteis (artigo 219 do CPC), e o advogado pode estar priorizando um prazo fatal de outro caso. 4. Se a conversa for por telefone, confirme depois por escrito o que foi combinado.
Se mesmo assim o silêncio continuar, com movimentações importantes sendo ignoradas, aí sim é hora de pensar nos passos mais duros.
Quando acionar a OAB (e o que mais você pode fazer)
A OAB de cada estado tem um Tribunal de Ética e Disciplina que apura a conduta de advogados, e qualquer pessoa pode apresentar uma representação, de graça, sem precisar de outro advogado. Procure a seccional do seu estado levando as provas: mensagens sem resposta, prints do andamento e o contrato de honorários.
A representação faz sentido quando há indício de falta grave: abandono da causa, prazo perdido por descuido, retenção de valores do cliente ou recusa deliberada de prestar informações. Para a simples demora em responder, a conversa documentada costuma resolver melhor e mais rápido.
Lembre também que você nunca está preso a um advogado: pode revogar a procuração e contratar outro profissional a qualquer momento. O novo advogado assume de onde o caso parou.
Para acompanhar de perto o seu caso, cole o número do processo no g1jus: a consulta é gratuita, cada movimentação vem traduzida em linguagem simples e você recebe um aviso por e-mail a cada novidade.
Perguntas frequentes
O advogado é obrigado a informar o andamento do processo?
Sim. Manter o cliente informado faz parte dos deveres profissionais do advogado, e a recusa deliberada de prestar informações pode ser levada ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB. Vale lembrar, porém, que longos períodos sem novidade são normais na Justiça: o dever é informar o que existe, não inventar notícia toda semana.
Posso consultar meu processo sem passar pelo advogado?
Pode, e não precisa de autorização de ninguém. Processos são públicos em regra (Constituição, artigo 93, IX), salvo os que correm em segredo de justiça. Com o número no padrão CNJ, você consulta de graça no site do tribunal ou no g1jus, que mostra a linha do tempo completa e permite ativar alerta gratuito de movimentação.
Quanto tempo sem notícias do processo é considerado normal?
Depende da fase. Nos tribunais superiores, os intervalos são longos: no TST, o gap mediano entre movimentações é de cerca de 7 dias, mas em 10% dos casos passa de 118 dias, e a espera por decisão após a conclusão tem mediana de 64 dias (ref. julho/2026, base pública DataJud/CNJ). Meses parado pode ser só o ritmo normal.
Como faço uma reclamação na OAB contra meu advogado?
Procure a seccional da OAB do seu estado ou a subseção da sua cidade e apresente uma representação por escrito, relatando os fatos e juntando provas: mensagens sem resposta, prints do andamento e o contrato de honorários. O procedimento é gratuito e você não precisa de outro advogado. O caso é apurado pelo Tribunal de Ética e Disciplina.
Trocar de advogado no meio do processo atrasa o caso?
Não necessariamente. Você pode revogar a procuração e contratar outro profissional a qualquer momento, e o processo continua de onde parou: o novo advogado pede acesso aos autos e assume a condução. O que costuma gerar atraso de verdade é passar meses com um profissional que não responde, deixando prazos e oportunidades passarem.