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Como calcular o CET do empréstimo e descobrir o custo real

Como calcular o CET do empréstimo é a pergunta que muita gente só faz depois de perceber que a parcela veio bem maior do que a taxa prometida sugeria. Isso acontece porque a taxa de juros anunciada é apenas uma parte do custo: tarifas, seguros, IOF e outros encargos entram na conta e formam o Custo Efetivo Total, o CET. Ele é o número que mostra quanto o crédito realmente custa por mês e por ano, e o banco é obrigado a informá-lo antes da assinatura. Neste guia, você vai entender a diferença entre taxa e CET, onde ele aparece no contrato, como recalcular o valor com tudo embutido e o que fazer quando o custo real destoa do combinado.

Taxa de juros anunciada e CET: por que os números não batem

O CET reúne juros, tarifas, seguros e impostos em um único percentual

Imagine que a Ana viu uma propaganda de empréstimo pessoal com taxa de 1,99% ao mês. Ela fez as contas de cabeça, achou razoável e assinou. Meses depois, somou o que pagava e percebeu que o custo real era bem maior. A Ana não caiu num golpe: ela apenas comparou o número errado.

A taxa de juros anunciada remunera somente o dinheiro emprestado. Só que o banco não cobra apenas juros. Na mesma operação entram tarifas, seguros, impostos e outros encargos, e cada um deles encarece a parcela. O Custo Efetivo Total, o famoso CET, existe justamente para juntar tudo isso em um único percentual, expresso ao mês e ao ano.

Na prática, o CET é o único número que permite comparar propostas de bancos diferentes de forma honesta. Uma instituição pode anunciar juros menores e, ainda assim, sair mais cara que a concorrente por causa das tarifas e do seguro embutido. Quem pesquisa crédito olhando só a taxa de juros enxerga uma parte da foto. O custo real do empréstimo é sempre o CET, nunca a taxa da propaganda.

O que entra no Custo Efetivo Total: tarifas, seguros e impostos

O CET reúne todos os valores que você paga para ter acesso ao crédito. Os mais comuns são:

- Juros remuneratórios: o preço do dinheiro em si, aquela taxa da propaganda. - IOF: imposto federal que incide sobre operações de crédito e costuma ser financiado junto com a dívida. - Tarifa de cadastro: cobrada no início do relacionamento para pesquisa cadastral. - Seguro prestamista: quita o saldo em caso de morte ou invalidez. É válido quando contratado por livre escolha, mas muitas vezes vem embutido sem o cliente perceber. - Registro de contrato e avaliação do bem: comuns em financiamento de veículo.

O detalhe que quase ninguém nota: quando esses valores são financiados, eles entram no saldo devedor e passam a render juros também. Ou seja, você paga juros sobre a tarifa, juros sobre o seguro, juros sobre o imposto. É por isso que o CET quase sempre fica visivelmente acima da taxa anunciada, mesmo em contratos corretos.

Se a diferença entre taxa e CET for pequena, o contrato tende a ser limpo. Se for grande, vale abrir a papelada e entender o que está inflando o custo.

Como calcular o CET do empréstimo na prática

Você não precisa ser matemático para fazer uma boa conferência. Siga este roteiro:

1. Anote o valor que realmente ficou disponível para você, não o valor do contrato. Voltando ao exemplo da Ana: imagine que ela pediu R$ 10.000 e recebeu R$ 10.000 na conta, mas o contrato registra R$ 10.750 porque tarifa de cadastro, seguro e IOF foram financiados.

2. Multiplique o valor da parcela pelo número de prestações. Esse é o total que sairá do seu bolso até o fim do contrato.

3. Compare os dois valores. A taxa que transforma o valor liberado no fluxo de parcelas é o CET. Para chegar ao percentual exato, use o simulador gratuito do site do Banco Central ou uma planilha com a função TIR (taxa interna de retorno), informando o valor liberado e as parcelas.

4. Confronte o resultado com o CET impresso no contrato. Se os números não fecharem, algo foi cobrado sem aparecer na papelada.

No exemplo da Ana, o contrato anunciava 1,99% ao mês, mas o CET recalculado ficava acima disso justamente porque ela pagava juros sobre encargos que nunca viraram dinheiro na conta dela. Essa diferença é o custo invisível do crédito.

Onde o CET aparece obrigatoriamente no contrato

As normas do Banco Central obrigam as instituições financeiras a informar o CET antes da contratação, em destaque, com o percentual ao mês e ao ano. Em geral, ele aparece em três lugares: na simulação entregue antes da assinatura, no quadro-resumo da primeira página do contrato e na planilha de cálculo que detalha a evolução do saldo devedor.

O Código de Defesa do Consumidor reforça essa obrigação: o consumidor tem direito à informação prévia e adequada sobre o custo do crédito, e cláusulas que escondem encargos ou dificultam a compreensão do contrato podem ser consideradas abusivas, nos termos do artigo 51 do CDC.

Na hora de conferir, procure pelo termo Custo Efetivo Total ou pela sigla CET no quadro-resumo. Se o documento não trouxer o percentual, ou trouxer em letra miúda escondida no meio do texto, isso já é um sinal amarelo. Você tem o direito de pedir a planilha de evolução do saldo devedor e a via completa do contrato a qualquer momento, inclusive anos depois da assinatura. O banco não pode negar esse acesso.

CET alto é sinal de juros abusivos? O que dizem STF e STJ

Nem todo CET alto é ilegal. A Súmula 596 do STF firmou que a Lei de Usura não se aplica às instituições financeiras, ou seja, bancos não estão presos ao teto de 12% ao ano. O STJ consolidou esse entendimento nos Temas 24, 25 e 26 (REsp 1.061.530): a abusividade só aparece quando a taxa cobrada destoa substancialmente da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquela modalidade de crédito.

Na prática, o caminho é comparar o seu CET com a média do BACEN do mês da assinatura, na mesma modalidade. Explicamos esse passo a passo no artigo sobre a taxa média do BACEN, e o panorama completo está no nosso guia de juros abusivos em 2026.

Quem quiser ver como os tribunais aplicam essas teses pode consultar o módulo de Precedentes do g1jus, que reúne 2.347 temas do STJ com tese firmada e 5.498 processos-líder (ref. julho/2026, base pública DataJud/CNJ). É uma forma rápida de ver o que já está pacificado antes de discutir com o banco.

Descobriu que paga mais do que o prometido: o que fazer agora

Se as contas mostraram um custo real bem acima do combinado, siga uma ordem que preserva provas e evita desgaste:

1. Reúna documentos: contrato completo, planilha de evolução do saldo devedor, extratos e comprovantes de pagamento. 2. Registre reclamação no SAC e na ouvidoria do banco, sempre guardando o número de protocolo. 3. Sem resposta satisfatória, registre a reclamação no sistema do Banco Central e nos órgãos de defesa do consumidor. 4. Se ficar comprovada cobrança indevida já paga, o artigo 42 do CDC prevê a devolução em dobro do valor cobrado a mais. 5. Se as dívidas somadas comprometem o seu sustento, a Lei 14.181/2021, a lei do superendividamento, permite pedir a repactuação global das dívidas em audiência de conciliação, preservando o mínimo existencial.

Se a conversa administrativa não resolver e a discussão virar ação judicial, você consegue acompanhar cada movimentação de graça no g1jus: basta cadastrar o número do processo na área Meus Processos e receber a linha do tempo completa, sem depender de ligações ou de visitas ao site do tribunal.

Dá para revisar um contrato de empréstimo já assinado?

Sim. A revisão de contratos bancários é uma das discussões mais comuns do Judiciário brasileiro, especialmente em financiamento de veículos, em que tarifas, seguros e taxa de juros costumam andar juntos. Antes de decidir, vale ler nossa análise sobre quando a revisional de financiamento de veículo vale a pena, porque nem todo contrato caro é revisável.

Em resumo, o juiz vai comparar a taxa efetiva do seu contrato com a média de mercado da época da assinatura. Se ela destoar substancialmente da média, pode haver readequação. Encargos embutidos sem contratação livre, como um seguro que você nunca escolheu, também podem ser discutidos. O ponto de partida é sempre o mesmo: recalcular o CET com calma e documentar a diferença entre o prometido e o cobrado.

Quer saber o que está acontecendo no seu processo agora? No g1jus a consulta é gratuita, funciona para qualquer tribunal do Brasil e cada andamento chega traduzido, com alerta por e-mail.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre taxa de juros e CET?

A taxa de juros remunera apenas o dinheiro emprestado. O CET (Custo Efetivo Total) soma juros, tarifas, seguros, IOF e demais encargos, mostrando quanto o crédito custa de verdade ao mês e ao ano. Dois bancos com a mesma taxa de juros podem ter CETs bem diferentes, por isso a comparação correta entre propostas é sempre pelo CET.

O banco é obrigado a informar o CET antes da assinatura?

Sim. As normas do Banco Central exigem que o CET seja informado antes da contratação, em destaque, com percentual ao mês e ao ano. O Código de Defesa do Consumidor também garante informação prévia e clara sobre o custo do crédito. Se o contrato não traz o CET de forma visível, você pode exigir o documento e registrar reclamação.

Seguro embutido no empréstimo entra no cálculo do CET?

Entra. Seguro prestamista, tarifa de cadastro, IOF e registro de contrato compõem o Custo Efetivo Total quando são cobrados na operação. Quando esses valores são financiados, viram saldo devedor e rendem juros, o que afasta ainda mais o CET da taxa anunciada. Um seguro incluído sem a sua escolha livre pode ser questionado como prática abusiva.

CET acima da taxa média do BACEN já prova juros abusivos?

Não automaticamente. Pelos Temas 24, 25 e 26 do STJ, os bancos não se sujeitam ao limite de 12% ao ano, e a abusividade só se caracteriza quando a taxa destoa substancialmente da média de mercado do Banco Central para a mesma modalidade e época. Uma diferença pequena tende a ser considerada normal pelo Judiciário.

Como descobrir o CET de um contrato antigo?

Peça ao banco a via completa do contrato e a planilha de evolução do saldo devedor, documentos que ele é obrigado a fornecer. Com o valor liberado, o número de parcelas e o valor de cada uma, dá para recalcular o CET em um simulador ou em planilha com a função TIR e comparar com o que foi prometido.

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